
A plataforma de streaming de música Deezer revelou um número assustador: quase 75.000 músicas geradas por AI são subidas todos os dias na plataforma. Este valor corresponde a 44% das atualizações diárias, num total de mais de 2 milhões (sim, você leu bem) de músicas desse tipo subidas por mês.
O Deezer faz algo para reduzir este problema?
A plataforma diz que, graças a “medidas únicas na indústria”, esse tipo de conteúdo ainda é muito baixo: apenas 1 a 3% do total de streams. Além disso, a maioria (85%) é detectada como fraudulenta e desmonetizada. Até junho de 2025, o Deezer era o único serviço de streaming de música que identificava se um conteúdo era artificial ou não e mais de 13,4 milhões de faixas foram detectadas e marcadas como AI em 2025.

Colaboração com outras plataformas
Segundo o CEO, Alexis Lanternier, a tecnologia de detecção passou a ser usada desde janeiro de 2025 e está disponível para licença, o que poderia ajudar outras plataformas a entrar na luta contra esse tipo de conteúdo.
Mas afinal, as pessoas conseguem distinguir uma música real de uma gerada por AI?
O Deezer lançou um estudo muito interessante que revelou que 97% das pessoas não conseguiam identificar nenhuma diferença entre conteúdo gerado por AI e por humanos. Além disso, 80% das pessoas concordaram que todas as músicas geradas por AI deveriam ter uma identificação clara.

Riscos para a indústria musical
De acordo com um estudo conduzido pela CISAC e PMP Strategy, quase 25% da receita dos criadores estará em risco até 2028, num total de €4 bilhões até essa data.
O que a plataforma faz quando identifica este tipo de conteúdo?
Assim que o sistema identifica que uma música foi gerada por AI, ela deixa de ser recomendada aos usuários e também deixa de aparecer nas playlists editoriais.
O que as pesquisas dizem?
De acordo com uma pesquisa conduzida pela própria empresa em oito países (EUA, Canadá, Brasil, Reino Unido, França, Holanda, Alemanha e Japão), 52% das pessoas sentem que músicas 100% geradas por AI não deveriam aparecer nas listas das mais tocadas junto a outras músicas criadas por pessoas.
E o Spotify?

Em setembro de 2025, o Spotify lançou um comunicado dizendo que, nos últimos 12 meses, tinha removido mais de 75 milhões de faixas da plataforma. Além disso, a empresa sueca também menciona que está tomando outras medidas para reduzir problemas desse tipo:
1 – Regras sobre “personificação” para evitar que outras pessoas clonem a voz de artistas. Importante lembrar que, em 2023, o Spotify e outras plataformas removeram uma música que clonava, sem permissão, as vozes de Drake e de The Weeknd.
2 – Filtro contra música considerada “spam”: identificação e remoção de táticas como upload massivo; músicas duplicadas; formas de burlar o SEO (otimização do sistema de busca); etc.
3 – Sistema de identificação e aviso de conteúdo gerado por AI: o Spotify deixa claro que não há uma forma binária de identificar as coisas (AI ou não AI), mas que há muitas nuances no meio. O sistema dá ao artista a possibilidade de indicar se alguma parte da música foi gerada artificialmente, sejam elas vocais, letras ou produção.
Uma banda que nunca existiu: The Velvet Sundown

Imagine uma típica banda psicodélica com muita cara de anos 70 e que em pouco tempo, consegue aparecer nos feeds dos usuários, assim como em várias playlists, alcançando centenas de milhares de usuários em poucas semanas e milhões de streams, com quase 80 mil seguidores. Seria incrível, exceto por uma coisa: não era uma banda real. Todas as músicas foram geradas por AI. A conta permanece lá, disponível para todos escutarem.
Ao menos por enquanto, o Spotify está sendo muito mais permissivo com este tipo de conteúdo. Será que continuará assim?


